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XILOGRAVURA
Técnicas
de Produção
A
imagem xilográfica é talhada em madeira
pelo gravador matuto, com tesoura, de uma perna só;
banda de gilete, quicé (faca de cortar fumo),
formão ou canivete. Qualquer instrumento cortante,
desde que tenha fio afiado suficiente para abrir os
sulcos e deles tirar as crenças e tradições
cablocas vestidas de anjos ou demônios, de gente
ou bichos, de heróis ou bandidos. O Nordeste,
símbolo de escassez, não é muito
exigente quando se trata de dar vida à sua fantasia.
O
espaço para a expressão gráfica
do sertão era antes definido pelo formato dos
folhetos de cordel. Hoje não tem mais limite:
tacos de madeira (umburana, jatobá, casca de
cajá-mirim, cedro ou até mesmo pinho)
de qualquer tamanho, formato geralmente retangular.
A maior exigência é quanto à superfície,
que deve ser plana e lisa, onde o lápis de carpinteiro
ou o toco de carvão possa, sem dificuldade, traçar
o roteiro da revelação. E para que depois
de pronta a prancha, se faça com ela boa impressão.
Contrariando,
porém, a semântica, a xilogravura nem sempre,
atualmente, se mantém fiel à madeira.
Há gravadores que trocaram a matéria-prima
natural, produto cada vez mais escasso, pelo sintético,
seguindo o exemplo do revolucionário Dila (José
Cavalcante e Ferreira), o gravador de cangaceiros.
Diz
J. Borges (Bezerros, Agreste pernambucano) que seu colega
e amigo, o Dila de outros nomes e dupla carteira de
identidade, adquiriu invejável perícia
em lidar com a borracha artificial ou placas de bateria
de automóvel, gravando nelas as figuras de cangaceiros
ou demônios, como se estivesse cortando sabão.Mas
entre ser amigo e seguidor de Dila, a distância
é muito grande para Borges. Reconhece a qualidade
do material sintético (superfície plana
e regular, facilidade de corte e maior aderência
ao papel na hora de impressão). Mas no seu caso
particular, acha que abrir mão da madeira é
perder algo irrecuperável.
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