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  COLUNAS

 
     Pan X Pátria  
 

Janaina Pereira
E-mail: janaina_flor@oi.com.br

Quarta-feira, 18 de Julho de 2007

          O Brasil está sediando os 15º Jogos Pan-Americanos, um dos maiores eventos esportivos do mundo, que reúne diversas modalidades e atrai atletas e turistas de diversos países, garantindo retornos em todas as áreas para o país inteiro. Um destes retornos talvez seja uma reflexão acerca do patriotismo que o brasileiro carrega na veia.

Plagiando Euclides da Cunha, em sua obra-prima “Os Sertões”, o brasileiro é, antes de tudo, um forte. Quando se executa o Hino Nacional, especialmente, em eventos esportivos, a emoção nos contagia e cantamos com aquele embargo na voz e arrepio na pele aquelas frases que nunca paramos para prestar realmente atenção no que significam. Depois da abertura do Pan, me senti desafiada a interpretá-las (ou pelo menos compreendê-las), e este talvez tenha sido um dos maiores legados que o evento trouxe para mim, pois descobri paradoxos interessantíssimos entre o hino e a nossa realidade.

          Dizem que ouviram às margens plácidas do Ipiranga um brado retumbante de um povo heróico. Até aqui tudo bem, o povo brasileiro é indiscutivelmente heróico, mas quem ouviu? Dom Pedro e comitiva? “E o sol da liberdade, em raios fúlgidos” tem brilhado no céu de nosso Brasil? Infelizmente, nunca conseguimos conquistar, nem com nosso braço forte, o penhor de igualdade nenhuma, mesmo desafiando a própria morte de peito aberto. “Ó, Pátria amada, idolatrada, salve, salve!” – nesta parte sim a gente pode ouvir o tal brado retumbante: “salve, salve o Brasil!”

          A estrofe seguinte diz que “um sonho intenso, um raio vívido de amor e de esperança à terra desce” se no nosso “formoso céu, risonho e límpido”, resplandece a imagem do Cruzeiro (leia-se, ou cante-se, Real). “Gigante pela própria natureza”, hoje tão devastada, tão destruída, somos belos, fortes, somos um colosso destemido, mas nosso futuro “espelha realmente esta grandeza, terra adorada”? “Entre outras mil”, e apesar de outras mil, “és tu, Brasil”, a nossa sempre “Pátria amada”.

          Cantamos que o Brasil fulgura como “florão da América”, um florão “deitado eternamente em berço esplêndido”, ao som de um belíssimo e indescritível mar, à luz de um profundamente lindo céu azul, “iluminado ao sol de um novo mundo”. Ora, ainda precisamos fazer chegar esse novo mundo, onde justiça, igualdade e fraternidade não sejam meras palavras que fazem parte de um dos símbolos nacionais. “Do que a terra mais garrida”, nossos “risonhos, lindos campos têm mais flores” e “nossos bosques têm mais vida”, mas nossa vida não encontra no seio do Brasil o amor que poderia.

          O ideal seria que o lábaro, ou apenas a bandeira estrelada que ostentamos, fosse realmente o símbolo maior do amor de um povo por seu país, e que o seu verde-louro dissesse “paz no futuro e glória no passado” (atual, não?). Temos clamado pela clava forte da justiça há mais de 500 anos, sem muito retorno, mas, como filhos leais que somos, não fugiremos à luta por nossa “terra adorada”, porque, mais do que mãe gentil, és a nossa Pátria amada, Brasil”.

          Amo o meu país. O Brasil é, com certeza, o maior símbolo de otimismo, confiança, garra, e, sobretudo, fé e coragem no mundo. Não podemos permitir que escândalos, em sua maioria, políticos façam desaparecer a confiança que temos no nosso futuro. Sofremos muito, padecemos horrores, desde que fomos “descobertos”, mas até isso dá um colorido especial a uma nação plural como a nossa.

          Que venham os escândalos, diversos “apagões”, os juros mais altos do mundo, a inflação, o desemprego, a violência: Nossas cicatrizes e feridas abertas são apenas mais uma prova de quão guerreiros são os brasileiros. Tenho certeza que a minha “Pátria amada”, minha terra “mãe gentil” não cruzará os braços jamais.

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